quarta-feira, 3 de setembro de 2008


"Difícil acreditar que estamos vivos..."
Pensando bem, é difícil acreditar que estejamos vivos até hoje!
Por: Luis Fernando Verissímo

Quando éramos pequenos, viajámos de carro sem cintos de segurança, sem ABS e sem air-bag!
Os vidros de remédios ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo de tampinha especial... Nem data de validade...
Ah! tinham também aquelas bolinhas de gude, que vinham embaladas sem instrução de uso.
Agente bebia água de chuva, da torneira e nem conhecia água engarrafada! Que horror! A gente andava de bicicleta sem usar nenhum tipo e proteção...
E passávamos nossas tardes construindo nossos carrinhos de rolimã... A gente se jogava nas ladeiras e esquecia que não tinha freios até que déssemos de cara com a calçada ou com uma árvore...
E, depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver os problemas... SÓZINHOS!!! Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo; nossos pais as vezes, não sabiam exatamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo.
Não existiam os celulares! Incrível!!!
A gente procurava encrenca. Quantos machucados, ossos quebrados e dentes moles dos tombos! Ninguém denunciava ninguém... Eram só "acidentes" de moleques; na verdade nunca encontrávamos um culpado.
Você lembra destes incidentes: janela quebradas, jardins destruídos, as bolas que caiam no terreno do vizinho...????
Existiam brigas e, as vezes, muitos pontos roxos... E mesmo que nos machucássemos e, tantas vezes, chorássemos, passava rápido; na maioria das vezes, nem mesmo nossos pais vinham a descobrir.
Agente comia muito doce, pão com muita manteiga... Mas ninguém era obeso; no máximo, um gordinho saudável... nem se falava em colesterol.
A gente dividia a mesma garrafa de suco, refrigerante ou até uma cerveja escondida, em três ou quatro moleques, e ninguém morreu por causa de vermes!
Não existia o Playstation, nem o Nintendo. Não tinha Tv a cabo, nem videocassete, nem computador, nem internet...
Tínhamos, simplesmente, amigos!!! A gente andava de bicicleta ou à pé. Íamos à casa dos amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos...
Sozinhos num mundo frio e cruél, sem nenhum controle! Come sobrevivemos? Inventávamos jogos com pedras, feijões ou cartas; brincávamos com pequenos monstros: lesmas, caramujos e outros animaizinhos, mesmo se nossos pais dissessem para não fazer isso!
Os nossos estômagos nunca se encheram de bichos estranhos! Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros, e tiveram que refazer 4 a segunda série... Que horror! Não se mudavam as notas e ninguém passava de ano, mesmo não passando.
As professoras eram insuportáveis! Não davam moleza... Os maiores problemas na escola eram: chegar atrasado, mastigar chicletes na classe ou mandar bilhetinhos falando mal da professora, correr demais no recreio ou matar aula só para ficar jogando bola no campinho...
As nossas iniciativas eram "nossas", mas as consequências também! Ninguém se escondia trás do outro...
Os nossos pais eram sempre do lado da Lei, quando transgredíamos as regras! Se nos comportássemos mal, nossos pais colocavam de castigo e, incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso!!
Sabíamos que quando os pais diziam "NÃO", era "NÃO".
A gente ganhava brinquedos no Natal ou no aniversário, não todas as vezes que íamos ao supermercado... Nossos pais davam presentes por amor, nunca por culpa...
Por incrível que pareça, nossas vidas não se arruinaram porque não ganhamos tudo o que gostaríamos, que queríamos...
Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e ótimos "solucionadores" de problemas...
Nos últimos 40/50 anos, houve uma desmedida explosão de inovações, tendências.
Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muita responsabilidade...
E não é que aprendemos e resolver tudo!!!!!!!... E SÓZINHOS!!!???
Se, você é um destes sobreviventes...
PARABÉNS!!!!!!!!!!!! Você curtiu os melhores anos de sua vida...

Um comentário:

Edilaina Silva disse...

Estamos vivos porque acima e tudo fomos felizes com tudo que hoje dizem ser perigoso, arriscado ou ultrapassado. Tivemos dias felizes e uma infancia inesquecivel. Sem falar em poder andar no porta-malas interno do fusca por pura diversao.